Atividades económicas

A aldeia de Alcorriol destaca-se pela diversidade das suas atividades económicas, combinando tradições antigas com empreendimentos modernos e assegurando a vitalidade e sustentabilidade local.

Esta pequena comunidade rural é um exemplo de adaptação e resiliência, mantendo vivas as suas raízes ao mesmo tempo que abraça novos negócios e oportunidades.

Agricultura

A agricultura foi, em tempos, o principal sustento das gentes de Alcorriol. Antigamente, a terra era trabalhada com afinco e os campos produziam generosamente, permitindo que muitas famílias vivessem, ainda que com dificuldades, daquilo que colhiam. Hoje em dia, a agricultura mantém-se presente, embora com outra dimensão. As pessoas dedicam-se sobretudo a pequenas hortas para o consumo próprio, motivadas fundamentalmente pela vontade de saberem o que estão a comer e pela frescura dos produtos à mesa.

Nos campos férteis de Alcorriol, cultivava-se trigo, aveia, cevada e milho, fundamentais para a alimentação e para a criação de gado. As favas, ervilhas, grão e chícharo eram igualmente importantes, servindo de sustento nos meses mais difíceis.

Entre as culturas predominantes destacava-se a azeitona, essencial para a produção do azeite caseiro, que continua a ser muito valorizado pela sua qualidade e sabor autêntico. Após a extração do azeite, o bagaço da azeitona não se desperdiçava. Era armazenado em covas próprias, conhecidas como covas do bagaço, pequenos poços de cerca de 1,5 metros de profundidade, onde o bagaço era bem acalcado e coberto com sal, sacos de serapilheira e terra, para que ficasse abafado. Todos os dias, uma porção era retirada com uma pá para alimentar os porcos, garantindo assim o aproveitamento total do fruto. Na sombra do passado resiste em ruínas um lagar de azeite, junto ao ribeiro, no Casal Prior.

O figo preto, que, em tempos, foi o ex-libris da aldeia, é agora colhido apenas pelos proprietários das terras onde as figueiras ainda resistem ao passar do tempo. Este figo, além de ser consumido fresco ou seco, era tradicionalmente utilizado na destilação de aguardente de figo, uma prática comum no passado, quando Alcorriol era conhecida pela produção desta bebida espirituosa artesanal. Para isso, existiam várias caldeiras espalhadas pela aldeia, entre as mais conhecidas estavam a Caldeira do Paizito (Casal). Zé Sénica, Zé Broas, Vitorino, Raimundo, João Resto, João Vital, Manel da Luísa e Manel Cénica. A aguardente de figo era uma bebida muito apreciada nas tabernas da aldeia, consumida tanto por homens como por mulheres, e havia quem a transportasse de burro até à localidade de Riachos, onde era entregue à Sociedade Lusitana de destilação para a produção de álcool.
Também a amêndoa e as pequenas vinhas têm o seu lugar na paisagem agrícola da aldeia. Ainda hoje, algumas destas tradições resistem, preservadas por aqueles que continuam a valorizar os sabores e os costumes de outros tempos. Embora o mundo tenha mudado, a essência agrícola de Alcorriol mantém-se viva, refletida nos campos que ainda dão fruto e nas memórias de quem viveu a era dourada da agricultura na aldeia.

Apicultura

Aapicultura é outra atividade importante na aldeia, com alguns apicultores a dedicarem-se a produção de mel, cera e própolis.

Para além da vertente económica, esta atividade tem um impacto positivo no ambiente, ajudando a polinização das culturas e à preservação da biodiversidade local.

Artesanato

A construção de cestos de vime desempenhou um papel fundamental na vida rural da aldeia. O vime, material resistente e flexível, era amplamente utilizado para fabricar cestos de diferentes tamanhos e formatos, adaptados às diversas necessidades do dia a dia.

Estes cestos eram indispensáveis para a agricultura, servindo para transportar colheitas como uvas, batatas, azeitonas e cereais. Além disso, eram utilizados no armazenamento e no transporte de mercadorias, desde alimentos a lenha, proporcionando uma solução prática e duradoura.

A cestaria de vime, além da sua utilidade prática, representava um verdadeiro ofício artesanal. Os cesteiros, mestres na arte de entrelaçar os ramos de vime, dedicavam-se a este trabalho com precisão e habilidade, criando peças duradouras e esteticamente apelativas.

Poucos são os cestos que persistem na aldeia, construídos pelo Sr. Abílio da Portela, hoje, considerados peças artesanais decorativas, mantendo viva a tradição de um saber ancestral.
Os bordados sempre tiveram um papel fundamental na cultura e na vida quotidiana das comunidades rurais. No passado, era comum que as raparigas solteiras se dedicassem ao bordado à mão, criando peças delicadas e ricas em detalhes. Estes bordados eram frequentemente utilizados para o enxoval, adornando lençóis, toalhas e roupas com padrões tradicionais, cuidadosamente trabalhados.

Com o passar do tempo, e com a evolução das técnicas, o bordado à máquina começou a ganhar destaque, permitindo a produção de peças mais rápidas e uniformes, sem perder a beleza e a elegância do trabalho artesanal. A senhora Natália, uma talentosa bordadeira à máquina, tornou-se conhecida pelo seu trabalho minucioso e pela qualidade das suas criações. O seu trabalho representava um equilibrio entre tradição e modernidade, garantindo que esta arte se mantinha viva e acessível a um público mais vasto.

Ainda hoje, esta arte, assim como a renda e a confeção de artigos em pano é valorizada, sendo um testemunho do talento e da criatividade das artesãs que mantêm viva uma tradição tão rica e significativa.

Criação de Aves

Entre as iniciativas mais peculiares encontra-se a criação de aves exóticas, que atrai visitantes e compradores de diversas regiões.

Indústria

Outro setor importante é o da caixilharia de alumínio, com uma pequena empresa que produz e instala caixilharias, janelas e portas de alumínio.

Pecuária

A pecuária era uma atividade essencial na aldeia, complementando a agricultura e garantindo o sustento das famílias ao longo do ano. Criavam-se galinhas, que forneciam ovos frescos para consumo e venda na praça, bem como coelhos e porcos, cujo abate anual era um momento importante. permitindo armazenar carne para os meses seguintes.

Como não havia frigoríficos nem arcas congeladoras, era necessário preservar a carne através de métodos tradicionais. Parte do porco era destinada a toucinho e presunto, que eram colocados em salgadeiras dentro das arcas de madeira, onde se conservavam durante meses. A carne magra era utilizada para a confeção de chouriços, enquanto o toucinho era derretido para se obter banha, essencial para cozinhar. Os torresmos, resultado desse processo, eram um petisco muito apreciado, especialmente acompanhado de pão caseiro.

Muitas famílias criavam também cabras e ovelhas, não só pelo leite, que servia para fazer queijo, mas também pela carne e pela lã, vendida ao "peleiro" que percorria as aldeias. Havia ainda quem possuísse vacas leiteiras, cujo leite era vendido a outras famílias da aldeia.

Além dos animais criados para alimentação, havia aqueles que eram fundamentais nas diversas tarefas do dia a dia rural. Os burros e as mulas nos tempos áureos da agricultura eram indispensáveis para movimentar a nora, retirando água dos poços através dos alcatruzes para a rega dos campos. Além disso, eram amplamente utilizados para puxar carroças, transportar as pessoas sentadas nas albardas, para carregar mercadorias nos alforges, ou lenha nas cangalhas, entre outros produtos. A sua resistência e capacidade de adaptação tornavam-nos aliados essenciais no trabalho agrícola e no transporte em terrenos difíceis. Os bois eram utilizados nos trabalhos agrícolas mais pesados, arando a terra e puxando os carros de bois carregados de feno ou cereal.

Nada se desperdiçava, nem mesmo os dejetos dos animais. As pessoas aproveitavam os "bonicos" dos burros e as bostas dos bois que apanhavam para estrumar as fazendas, espalhando-os pelos terrenos agrícolas para fertilizar a terra e garantir melhores colheitas. Esta prática era essencial para manter a fertilidade dos solos, num tempo em que não existiam fertilizantes artificiais e tudo se fazia com os recursos naturais disponíveis.

A pecuária, tal como a agricultura, exigia trabalho árduo e dedicação diária, mas era a base da vida rural. Entre o amanhecer e o entardecer, as aldeias enchiam-se do som dos animais, das vozes dos pastores chamando os rebanhos e do tilintar dos chocalhos nos campos. Era um modo de vida simples, mas profundamente ligado à terra e à natureza, onde tudo tinha um propósito e nada era desperdiçado.

Restauração

A Quinta das Carrascosas é um espaço encantador situado em Alcorriol, no concelho de Torres Novas, ideal para celebrações especiais como casamentos. Rodeada por amplas áreas verdes e jardins bem cuidados, a quinta oferece um ambiente campestre e acolhedor, proporcionando um cenário perfeito para eventos memoráveis.

Espaços e Serviços Oferecidos:

  • Salões de Eventos: A quinta dispõe de salões espaçosos e elegantemente decorados, adaptáveis a diferentes tipos de celebrações e com capacidade para acolher entre 50 a 550 convidados.
  • Gastronomia: Oferece menus personalizados, destacando-se pela qualidade e variedade gastronómica, com pratos que agradam aos mais diversos paladares.
  • Jardins e Áreas Exteriores: Os jardins bem cuidados são ideais para cerimónias ao ar livre, sessões fotográficas ou momentos de convívio entre os convidados.
  • Estacionamento e Acessibilidade: A quinta possui estacionamento amplo e acessos facilitados, incluindo infraestruturas adaptadas para pessoas com mobilidade reduzida.

Sapateiro

No passado, o ofício de sapateiro esteve bem presente na aldeia. Foram vários os sapateiros que laboraram no Alcorriol, desempenhando um papel fundamental na comunidade ao confecionar e reparar calçado para os seus habitantes.

Destacaram-se: Felisberto, Carlos da Amália, Rodrigo conhecido como o "quatro", João Carlos, Luís Pera, Francisco Pera conhecido como o Xico Pera, José da Silva Lobo conhecido como o Patrãozinho, Agostinho Lobo, Zé Maria Sapateiro, Mário Salvador, Salvador, Manuel Augusto, Benjamim, Agostinho Varanda.

O Patrãozinho tinha uma oficina onde trabalhavam sapateiros da aldeia e de localidades vizinhas.

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