Na aldeia de Alcorriol, as tradições e os jogos populares marcaram profundamente o quotidiano da comunidade, proporcionando momentos de diversão e fortalecendo os laços sociais.
Desde os jogos de crianças até às celebrações festivas, a vida na aldeia era ritmada por atividades que envolviam todas as gerações.
Através destes jogos e celebrações, Alcorriol preservava as suas tradições e fortalecia o espírito de comunidade. Cada jogo, cada fogueira e cada dança contavam um pouco da história da aldeia, relembrando os tempos em que a vida era mais simples, mas profundamente autêntica.
Hino do Alcorriol
Oh Alcorriol
Refrão
Oh Alcorriol
O teu nome é adorado
Oh Alcorriol
Por todos abençoado
Tuas cantigas
São alegres e airosas
E as raparigas
De lábios frescos
Belas e formosas
À entrada de Alcorriol
Está um portão encarnado
Onde mora a minha sogra
A mãe do meu namorado
Refrão
A igreja de Alcorriol
Caiadinha até ao chão
Por causa das raparigas
É que os rapazes lá vão
Refrão
O lugar de Alcorriol
É alto custa a subir
Quem lá vai tomar amores
Vai ao céu e torna a vir
Refrão
Jogos de Crianças
As crianças de Alcorriol divertiam-se com jogos simples, mas cheios de entusiasmo.
O jogo do berlinde era um dos favoritos. Com pequenas esferas de ferro, as crianças desenhavam um círculo no chão e tentavam acertar nos berlindes dos adversários, num misto de habilidade e estratégia.
Outro jogo peculiar era o da bola com a bexiga do porco. Depois da matança do porco, aproveitava-se a bexiga, que era enchida de ar e atada, transformando-se numa bola improvisada. Leve e saltitante, proporcionava muitas risadas e corridas pelas ruas da aldeia.
Os carrinhos de rolamentos eram também muito populares. Feitos manualmente, geralmente com madeira e rolamentos de ferro, os carrinhos eram conduzidos pelas crianças nas descidas mais íngremes, proporcionando momentos de adrenalina e, por vezes, algumas quedas memoráveis.
Jogos de Adultos
Entre os adultos, o jogo da malha e o chinquilho eram presenças constantes. No jogo da malha, os participantes lançavam discos de metal para derrubar um pino colocado ao fundo do terreno, exigindo precisão e força.
O jogo do chinquilho, semelhante ao jogo dos bowling, consistia em derrubar pequenos pinos de madeira com uma bola, desafiando a pontaria dos jogadores.
O jogo das cartas era outra tradição, reunindo grupos em tabernas ou à sombra das árvores. Jogos como a sueca, o dominó e a bisca animavam longas tardes e eram sempre acompanhados de boa conversa e, muitas vezes, de um copo de vinho.
Uma tradição única era o Jogo do Cântaro, realizado no domingo antes do Carnaval. Este jogo lúdico era praticado por grupos de jovens que formavam uma roda e lançavam um cântaro de barro entre si. Quem deixasse o cântaro cair e quebrar tinha de comprar outro para futuras sessões.
Apesar da simplicidade, o jogo alimentava rivalidades, especialmente entre os jovens do Lugar dos Currais e os do Lugar das Moitas, transformando-se numa verdadeira prova de destreza e nervos.
Fogueiras dos Santos Populares
As celebrações dos Santos Populares eram sempre animadas. Ao som das concertinas, os participantes reuniam-se em torno das fogueiras de alecrim, queimando alcachofras enquanto cantavam e dançavam.
O momento alto era o ato de saltar as fogueiras, um gesto simbólico que evocava purificação e sorte para o futuro.
Fogueiras de Natal
No Natal, as tradições das fogueiras repetiam-se, desta vez alimentadas com grossos troncos de oliveira que ardiam pela noite dentro.
Era um momento de convívio, onde os mesmos rituais das outras festas se repetiam, proporcionando calor — tanto físico como emocional — à comunidade reunida.
Bailaricos e Danças Populares
Os bailaricos e as danças populares aconteciam em locais improvisados, como os rossios, as eiras e os celeiros, ao som de pequenos harmónios. Eram ocasiões de pura alegria, onde jovens e adultos se encontravam, dançavam e partilhavam histórias. A música e os passos de dança preenchiam o ar, criando memórias que perduravam ao longo dos anos.
Festa Anual e Arraial de Verão
A antiga festa anual e o arraial de verão eram, sem dúvida, o ponto alto do ano. Apesar de extinta há já "uns vinte e tal anos", esta festa era um marco na vida da aldeia. Com música, comida e muita animação, todos se reuniam para celebrar a vida e reforçar os laços comunitários.
Nos dias de hoje, procura-se restabelecer uma celebração semelhante.